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How to get to Finzes (Viseu) Hotel Finzes (Viseu)

Photos of Finzes, Viseu

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1415 arrives at Aregos with the 10:48 Regua to Porto Campanha, 22nd September 2019
1415 arrives at Aregos with the 10:48 Regua to Porto Campanha, 22nd September 2019
  • Author: SXM-747 Follow on flickr foto flickr
  • Date of photography: 2019-09-22 10:23:06
  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'23"N - 8°0'31"W
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Parque de Merendas do Penedo
Parque de Merendas do Penedo
  • Author: Jyache Follow on flickr foto flickr
  • Date of photography: 2019-06-09 11:41:09
  • Geographical coordinates of the taken: 41°4'59"N - 8°0'14"W
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Hotel Finzes
Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
  • Author: Portuguese_eyes Follow on flickr foto flickr
  • Date of photography: 2019-02-26 17:10:08
  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'5"N - 8°3'28"W
  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
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1455
1455
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  • Date of photography: 2019-03-26 17:38:18
  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'22"N - 8°0'30"W
  • 1455 at Aregos on R4107 1705 Marco de Canaveses to Regua
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1415
1415
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  • Date of photography: 2019-03-26 17:39:37
  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'22"N - 8°0'30"W
  • 1415 arriving at Aregos on R4108 1653 Regua to Marco de Canaveses
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1455 & 1415
1455 & 1415
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  • Date of photography: 2019-03-26 17:40:07
  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'23"N - 8°0'31"W
  • 1455 at Aregos on R4107 1705 Marco de Canaveses to Regua passing 1415 on R4108 1653 Regua to Marco de Canaveses
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Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
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  • Date of photography: 2018-12-16 19:12:09
  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'7"N - 8°3'24"W
  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
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Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
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  • Date of photography: 2018-12-16 19:10:55
  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'9"N - 8°3'25"W
  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
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Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
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  • Date of photography: 2018-12-16 19:11:45
  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'7"N - 8°3'23"W
  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
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  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
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Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
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  • Date of photography: 2018-11-30 00:24:57
  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'7"N - 8°3'25"W
  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
  • License*: Attribution-NonCommercial-ShareAlike License - photo in flikr foto flickr
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Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
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  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
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Mosteiro de Santo André de Ancede - Portugal 🇵🇹
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  • Geographical coordinates of the taken: 41°6'6"N - 8°3'26"W
  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
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  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
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  • Apesar de se desconhecer a data da sua fundação, sabe-se que em 1120 este Mosteiro pertencia já à Diocese do Porto, estando ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, D. Afonso Henriques vende a Carta de Couto ao abade do Mosteiro por 150 morabitinos. Em 1560, é anexado ao Convento de S. Domingos de Lisboa, por decisão do Papa Pio IV. No século XVIII constroem-se vários edifícios que ainda hoje notabilizam este conjunto arquitectónico: os Celeiros e a Adega, a Capela octogonal de Nosso Sr. do Bom Despacho e, provavelmente, o Fontanário. Nos inícios do séc. XIX, o Mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do barão de Ancede. Mosteiro de Ancede Do séc. XII aos finais do séc. XIV O primeiro documento conhecido que faz referência ao Mosteiro de Sto. André de Ancede data de 1120, sendo naturalmente anterior a sua fundação, e dá-nos conta da sua filiação na Ordem dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho. A partir de 1123, pela mão de Calisto II, passa a estar ligado à igreja do Porto. Do primitivo mosteiro apenas resta hoje alguns paramentos e a rosácea, com um espesso toro na face externa, delimitada por duas pequenas escócias e uma orla perolada que é já obra do séc. XIII (BARROCA, 1984, 129). D. Afonso Henriques passa carta de couto ao mosteiro a partir de 1141 em troca de 150 morabitinos. Pela descrição da área coutada, podemos verificar que se trata já de uma propriedade com alguma dimensão a nível local (cerca de 16 km2), mas longe ainda do peso económico que esta casa irá adquirir ao longo de toda a Baixa Idade Média. Este crescimento económico deveu-se a uma ampliação sistemática do seu património fundiário, alcançada através da aquisição e aproveitamento de novas propriedades, de um conjunto significativo de doações e por vários escambos e aforamentos. O aproveitamento económico desse património foi conseguido, numa primeira fase, através sistemas de arrendamento adoptados e, numa outra fase, com base num esforço de comercialização de larga escala dos produtos vinícolas. Estas estratégias foram antecedidas duma aposta feita no vinho por ser um artigo rentável já na época. Assim, as terras eram exploradas por rendeiros, que eram submetidos a contratos agrícolas de certa forma rígidos por imporem o cultivo intensivo do vinho, técnicas e até estruturas de vinificação. A crescente produção de vinho facilitou a integração do Mosteiro de Ancede nos circuitos comerciais do Douro canalizados maioritariamente para a cidade do Porto. Este processo de comercialização foi sendo facilitado graças aos lucros da venda do vinho, pois já na centúria de Trezentos, o Mosteiro de Ancede gozava do estatuto de vizinho da cidade do Porto, libertando-o de solicitar autorização para as exportações de vinho, de deixar 1/3 da produção a exportar e de vender obrigatoriamente na cidade. Este comércio de curta e de longa distância justifica e era facilitado pelos prédios urbanos da cidade do Porto, pelas adegas e pelos armazéns que o mosteiro possuía em Gaia e no Porto, bem como pelos barcos de alto bordo dirigidos por mareantes do Porto desde o séc. XV. As rendas e os impostos eram sempre pagos em vinho e não em dinheiro. A produção de vinho bem como serviços prestados pelos rendeiros eram encaminhados para propriedades de maiores dimensões (as granjas), como Ermêlo ou Quintela, que se encontravam dotados de equipamentos adequados à produção e ao armazenamento de vinho e de outros produtos (cereais, fruta, azeite, gado, mel, produtos de caça e de pesca). O crescimento económico do Mosteiro permite que no final da Idade Média, a propriedade fundiária do mesmo se estenda de Baião a Mesão Frio, com prolongamentos até Penaguião, Cárquere (Resende) e Lamego, possuindo ainda propriedades em Trás-os-Montes, e sobretudo na Beira, para além dos bens imóveis anteriormente referidos em Gaia e no Porto, e de várias pesqueiras ao longo do Rio Douro. Os lucros do comércio do vinho permitiram ainda a realização de várias obras de valorização e de embelezamento nos espaços físicos do Mosteiro. Outras terão sido realizadas por vicissitudes sofridas como terá sido o caso do incêndio de 1355 que destruiu “o dormitório e as casas em redor dele, o refeitório, o cabide e a crasta”. Sabe-se ainda que em 1363 as obras de recuperação ainda não estavam concluídas. Do séc. XV aos nossos dias Na 2ª metade do Séc. XVI, o Mosteiro atravessava uma fase de decadência visível no número reduzido de monges que aí habitava, estando a gestão do seu património entregue a um comendatário. Em 1560 por solicitação de D. Catarina da Áustria, então Regente do Reino, o Papa Pio IV, edita a bula que permite a anexação do Mosteiro de Ancede pelo Convento de S. Domingos de Lisboa. No entanto, o Mosteiro continuou a produzir vinho de qualidade que passou a ser encaminhado por mar para sustento da casa-mãe em Lisboa (BARROS, 1998), tendo sido na centúria de Quinhentos que se embelezou os espaços do Mosteiro ao adquirir várias obras de arte. Destas destaca-se o belíssimo tríptico flamengo da autoria de Joos van Cleve de 1530 (LORENA, 2016). No séc. XVII fazem-se já grandes obras de remodelação ao substituírem as duas igrejas que faziam parte do Mosteiro por um novo edifício de três naves com três capelas ornamentadas e com um coro, tendo sido concluída em 1689 (Livro 3529, fólio 43 verso e fólio 44, de 1746). Esta descrição corresponde ao aspecto actual da igreja de Ancede. A igreja da freguesia era composta por duas naves, o que pressupõe dimensões mais modestas. Datará também do séc. XVII a cerca do Convento de Ancede, uma vez que nos surge num documento a referência de que no ano de 1692 o convento se encontrava já “tapado de muro em toda a roda” (Livro 3529, fólio 45, de 1746) No século XVIII, o então Convento de Ancede deve ter continuado a viver um período de expansão económica pois datam dessa época grandes obras de remodelação, como sendo a construção dos Celeiros e da Adega (em 1722), a construção da Capela do Senhor do Bom Despacho em 1731, e por fim o Portal Norte em 1735, portal que fecha este conjunto ao ter sido construído acoplado a uma das paredes da capela e do Celeiro. No entanto, o Auto de mediação da Igreja, convento e cerca datado de 1745, refere que a torre ameaçava ruir, pelo que se encontrava parcialmente demolida. A ala poente do Mosteiro é tida como sendo muito antiga, ainda do tempo dos cónegos. Aí se localizava a livraria e 6 celas. A ala sul é já referida como a ala nova, onde se localiza, no andar inferior e na direcção de nascente a poente, a sala “de profundiz”, o refeitório e a despensa. No andar superior, localizava-se a barbearia e 3 celas, uma das quais “assistiam os padres procuradores”. Na ala nascente, localizava-se a casa do despacho, a cela dos procuradores gerais e mais duas celas. Nesse documento, é descrito o claustro fechado “com telheiro” em toda a volta com excepção do lado norte (igreja), apoiado em colunas de pedra. O pavimento é descrito como sendo todo em terra, com sepulturas junto da sacristia e da igreja. A Casa da Hospedaria e a Casa dos Moços, corresponde, grosso modo, ao edifício que serviu como casa de caseiro. No séc. XVIII, era um edifício de maiores dimensões tendo-se detectado nas escavações realizadas em 2005 o limite exterior, localizado a sul da atual parede exterior. A seguir a esta, em direcção a nascente, localizava-se a casa do lagar e a do forno, que com os seus alpendres, fechavam o pátio, encostando ao Fontanário. Com a expulsão das Ordens Religiosas em Portugal durante a 1ª metade do séc. XIX, o Convento foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Barão de Ancede, que aí faz um colégio para raparigas. Na fachada do portão norte é ainda visível o seu brasão. Como a Igreja e a Capela ficaram à margem deste processo de venda, foram restituídas à Paroquia em 1932. Algumas reflexões sobre o Conjunto Arquitectónico de Ancede No artigo citado de Amândio Barros podemos depreender que foram várias as obras e os melhoramentos que este Mosteiro sofreu ao longo dos dois séculos sobre os quais este historiador se debruçou. No entanto, está por fazer a História arquitectónica deste importante edifício e de todas as estruturas anexas. O aspecto exterior da Igreja parece inserir-se no estilo arquitectónico conhecido como “estilo chão” que se caracteriza por um despojamento decorativo, por volumetrias quadrangulares e por uma sobriedade e rigor geométrico que tão bem se enquadra em estilos de gosto clássico, como o foram o Renascentismo, o Maneirismo e mais tarde o Neoclassicismo. Este estilo chão manifestou-se em Portugal desde os finais do séc. XVI e perdurou até aos finais do século XVII. Apesar de serem posteriores, o edifício do Celeiro, o Fontanário e o Portal Norte parecem inserir-se no mesmo estilo arquitectónico. Podemos estar a assistir a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII. Note-se ainda a preocupação em manter a simetria da fachada no grande edifício do Celeiro. Essa simetria foi alcançada pela colocação das pilastras, independentemente da divisão interna que se efectuou no corpo do edifício. Os Celeiros exibem a data de 1722, a capela octogonal do Senhor do Bom Despacho data já de 1731 e o portal que fecha todo este conjunto construído acoplado à Capela e ao grande edifício que terá funcionado como armazém ostenta a data de 1735 e o brasão do Barão de Ancede. A sobriedade exterior da Capela octógonal contrasta profundamente com a decoração do seu interior, onde predomina o estilo barroco. Apesar do portal ter sido construído pouco depois dos Celeiros, o facto de o ter sido acoplado à parede externa da fachada desse edifício, faz com que passe a perturbar a sua leitura, ao desrespeitar a preocupação de simetria e de rigor geométrico tido na sua construção. Somos então da opinião que se assiste em Ancede a uma perduração deste estilo nos inícios do século XVIII, sobretudo no que diz respeito à decoração das fachadas, ao manterem o mesmo tipo de pináculos, as pilastras e as volutas que também caracterizam a Igreja de Ancede, cuja conclusão data de 1689. O fontanário deverá também ter sido construído pela mesma altura a avaliar pela sua decoração, mas também pelo sítio em que foi implantado. Todos estes edifícios: Celeiro, Adega, Fontanário e Capela foram certamente construídos com base num projecto global, já que obrigou ao corte do terreno, a um desaterro a nascente necessário à sua implantação. Ao mesmo tempo, o desaterro fez com que se aterrasse o patamar que medeia este conjunto e o da Igreja e ala nascente do Mosteiro, situadas a uma cota bastante inferior. Este aterro obrigou então à construção de um muro de suporte junto dessa ala nascente, que vem tapar as janelas da actual sacristia da Igreja. A Capela do Senhor do Bom Despacho que se encontra no mesmo patamar da Igreja foi então construída adoçada a este muro de suporte. BIBLIOGRAFIA: BARROS, Amândio (1998). O património do Mosteiro de Ancede na Idade Média (séculos XII-XIV). In. Actas do Colóquio “Serra da Aboboreira e a região do Douro. Arqueologia e Natureza. Valores a potenciar”, ed. polic., Baião. BARROCA, Mário Jorge (1984), Notas sobre a ocupação medieval em Baião, Arqueologia, 10, 129. CÂMARA MUNICIPAL DE BAIÃO, Plano Director Municipal. Descritor do Património Cultural, ed. polic., Baião. LORENA, Mercês. (2016). Tríptico do Mestre de Ancede. In. Joel Ferreira Mata, Baião: Em torno do ano 1500. (pp. 70-74). Casal de Cambra: Caleidoscópio. PEREIRA, Fernando António Baptista (1992), História da Arte Portuguesa. Época Moderna (1500-1800). (pp. 42-92). Lisboa: Universidade Aberta. www.visitbaiao.pt/2017/05/09/6-mosteiro-de-santo-andre-de...
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